Sargento Byron realiza sessão especial em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down
O vereador Sargento Byron Estrelas do Mar (MDB) realizou, na manhã desta segunda-feira (23/03), uma sessão especial com o tema “Amizade, acolhimento e inclusão - Xô Solidão”. O evento aconteceu no plenário da Câmara Municipal de Aracaju, em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado no dia 21 de março. A sessão contou com a presença de integrantes da Associação Sergipana do Cidadão com Síndrome de Down (Cidown) e de representantes do Ministério Público de Sergipe e da OAB-SE.
Sargento Byron falou sobre a importância da realização do evento e de trazer esse tema para a reflexão. “É sempre bom que haja essa escuta para termos a perspectiva das próprias pessoas que possuem deficiência, das pessoas com Síndrome de Down, para percebermos como eles enxergam o mundo, como eles acreditam que o mundo os veem e a importância de como eles desejam ser tratados pela sociedade.”, afirmou ao enfatizar que a sociedade ainda não absorveu a relevância da palavra equidade.
O parlamentar fez questão de destacar a resiliência das mães e das instituições que lidam com a causa, na luta por mais efetividade na busca por direitos, acessibilidade e oportunidade, uma realidade que é bastante difícil, sobretudo para aquelas famílias que desconhecem os direitos que possuem. “Com a ausência da atuação e da força da Cidown, talvez outras mães não consigam entender essas possibilidades e acabam limitando seus filhos dentro de casa”, afirmou ao citar a relevância desse papel institucional e de todo e qualquer cidadão para contribuir para uma realidade melhor.
Camila Melo, aluna de fotografia do Incluzoom e diretora do Cidown, abordou a importância da amizade. “Venho aqui falar para vocês em um dia tão importante de visibilidade para as pessoas com Síndrome de Down sobre a amizade. Amizade é quando temos pessoas que conversam com a gente, ajudam quando precisamos e respeitam quem somos. Amigo é quem acolhe, escuta e caminha junto. Todo mundo precisa de amigos. Amizade é quando alguém olha para você e diz: ‘Eu vejo você’ e é também, acima de tudo, ponte contra a solidão.”
A bailarina de dança do ventre e autodefensora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), Flávia Guadalupe, enfatizou a necessidade de considerar a individualidade das pessoas com Síndrome de Down e de combater falas e atitudes capacitistas. “A Síndrome de Down não é o centro da vida de uma pessoa com essa condição, o centro da minha vida sou eu, minha identidade, minha voz, meus desejos, meus afetos e meus caminhos. Durante muito tempo, pessoas como eu foram vistas apenas pelas suas características genéticas, como se isso resumisse tudo que somos, mas nós somos mais do que isso. Então pare e pense, vamos acabar com falas capacitistas. Eu sou uma pessoa e sou, inclusive, o resultado das oportunidades que tive, do amor e das chances reais que me deram para crescer”, disse ao chamar a atenção para o fato de que o que limita não é a síndrome, mas a falta de sensibilidade e de oportunidade.
Alice Paes Silveira, fotógrafa do Incluzoom e influencer digital destacou a relevância da inclusão social para promover a equidade. “Inclusão é quando todos participam e ninguém fica de fora. É também quando todos, independentemente da sua condição ou de suas características, estudam, trabalham, participam da vida social e estão em todos os lugares. Inclusão é, principalmente, quando as pessoas respeitam as diferenças”.
O presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB-SE, Breno Messias, fez questão de dizer que, infelizmente, a sociedade ainda está muito longe de alcançar a cidadania plena. “Que tenhamos não apenas esse olhar de empatia, mas que possamos também enxergar todos aqueles que estão aqui presentes como sujeitos que podem também contribuir para a sociedade, para a construção de políticas públicas e para o engrandecimento dos demais como seres humanos. Isso não se trata de um favor, e sim de um direito que, antes de ser constitucionalmente previsto, é um direito humano”, disse ao salientar que a instituição estará sempre atuando para contribuir com essa pauta.
A promotora de Justiça do Ministério Público de Sergipe, Ana Galgane, ressaltou o papel da família no apoio para que crianças e jovens com Síndrome de Down possam desenvolver habilidades, realizar sonhos e ter cada vez mais autonomia. “Todos esses jovens que estão aqui hoje com Síndrome de Down são conquistas, exemplos e modelos para outras famílias que estão chegando e recebendo seus filhos com essa condição. Filho é amor e a gente está aqui nessa causa por amor, pela autonomia, pela independência e pela felicidade dos nossos filhos”, concluiu ao destacar que a união de forças faz a diferença nesse processo de inclusão.