Nitinho reforça luta por políticas públicas para mães atípicas em Aracaju
A audiência pública realizada nesta segunda-feira (11), na Câmara Municipal de Aracaju, reuniu mães atípicas, representantes de movimentos sociais, profissionais da saúde, educação e parlamentares em um debate marcado por emoção, escuta e defesa de políticas públicas permanentes voltadas às famílias atípicas.
Autor do requerimento N° 107/2026, o vereador Nitinho Vitale (PSD) abriu a audiência defendendo ações concretas para fortalecer a rede de apoio às mães e anunciou a intenção de criar uma comissão formada por mães atípicas para participar da definição de investimentos oriundos de emendas parlamentares.
“Não adianta apenas ouvir as mães. Nós precisamos construir soluções junto com elas. Quero criar uma comissão formada por mães atípicas para ajudar a decidir onde investir os recursos das emendas parlamentares”, afirmou o parlamentar.
Durante os depoimentos, mães relataram as dificuldades enfrentadas diariamente na busca por terapias, consultas, exames, inclusão escolar e acolhimento psicológico. Os relatos emocionaram o plenário e reforçaram a necessidade de ampliação dos serviços públicos especializados.
A mãe atípica e representante do movimento de famílias neurodivergentes, Márcia Santos, destacou a sobrecarga emocional enfrentada pelas mulheres que assumem integralmente os cuidados dos filhos.
“A mãe atípica vive cansada, mas nunca desiste. A gente luta todos os dias por atendimento, inclusão e respeito. Muitas vezes, também precisamos lutar para não adoecer emocionalmente”, declarou.
Já Ana Cláudia Oliveira, ativista da causa e mãe de criança autista, cobrou maior sensibilidade do poder público diante das demandas das famílias.
“Nós não queremos privilégios. Queremos acesso digno à saúde, educação e assistência para nossos filhos. Precisamos ser vistas e ouvidas”, afirmou.
Um dos momentos mais emocionantes da audiência foi o depoimento do adolescente autista Emmanuel Barata Souza Moraes, que utilizou a tribuna para defender mais inclusão, respeito e conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista.
“Nós só queremos ser compreendidos e respeitados. Muitas vezes, as pessoas julgam sem conhecer nossa realidade”, declarou Emmanuel, sendo bastante aplaudido pelos participantes.
Logo após, a mãe do adolescente também emocionou o público ao relatar os desafios enfrentados diariamente pelas famílias atípicas. “Ser mãe atípica é viver em constante luta. A gente precisa lutar por atendimento, por inclusão e, principalmente, por dignidade para os nossos filhos”, afirmou.
A deputada estadual Carminha Paiva (PT) também participou da audiência e defendeu o fortalecimento de políticas públicas permanentes de acolhimento às mães atípicas, ressaltando a importância da união entre os poderes públicos e a sociedade civil.
Representantes de entidades e profissionais das áreas de saúde e educação defenderam a ampliação da rede multidisciplinar de atendimento, suporte psicológico às mães, qualificação profissional e fortalecimento da inclusão escolar na rede pública municipal.
Ao final da audiência, ficou definido o compromisso de continuidade do diálogo entre o Legislativo, instituições e famílias atípicas para construção de propostas concretas voltadas à melhoria da qualidade de vida dessas mães e de seus filhos em Aracaju.
O debate foi considerado um importante espaço de escuta e mobilização social, ampliando a visibilidade das demandas das famílias atípicas e fortalecendo a luta por mais inclusão, acolhimento e dignidade.