Tribuna Livre recebe representantes do Ipaese nesta terça-feira, 29

por Fernanda Nery - Agência CMA — publicado 29/04/2025 15h10, última modificação 30/04/2025 09h29
Tribuna Livre recebe representantes do Ipaese nesta terça-feira, 29

Foto: China Tom

O espaço Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju recebeu, na manhã desta terça-feira, 29, a professora do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe (Ipaese), Gislane Damares Feitosa. O objetivo é ressaltar a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na sociedade e fazer uma alusão ao Dia Nacional da Libras, comemorado neste mês.

Gislane Feitosa iniciou seu discurso fazendo a sua apresentação pessoal e em seguida falou sobre a importância da Libras e das atividades desenvolvidas pela instituição. “O Ipaese oferece na sua grade curricular a Libras como disciplina obrigatória e também é a única escola bilíngue aqui de Aracaju voltada para surdos. Nós não temos outra escola bilíngue aqui no estado. O instituto também conta com professores bilíngues que ensinam os alunos surdos da educação infantil, ensino fundamental menor, ensino fundamental maior e ensino médio. Agora também temos pré-vestibular, com o projeto ‘Enem para surdos’”.

A professora também ressaltou a importância do convívio entre os surdos para o desenvolvimento dessa comunidade. “Alguns alunos surdos moram no interior do estado e eles não têm contato e nem fluência em Libras e, quando eles começam a estudar no Ipaese, o contato com outros surdos nativos da própria língua faz com que eles adquiram esse desenvolvimento, o que gera uma grande diferença em relação a quando eles iniciam.”

Gislane destacou, ainda, a existência da Lei de Libras, aprovada em 2002, que  reconhece a Libras como meio de expressão comunicacional do surdo, e aproveitou para chamar a atenção para a necessidade de que a Língua Brasileira de Sinais seja difundida. “A Libras tem a sua gramática e sua estrutura próprias, que  diverge da gramática e da estrutura da Língua Portuguesa. Então, também é necessário ter conhecimento e fluência na Libras”. 

Ela também falou sobre o fato de que muitos surdos que estudam em escolas inclusivas acabam não tendo o aprendizado devido, pois muitas vezes os professores  não passam o conteúdo por meio da Libras. “Isso acaba gerando um prejuízo para a comunidade surda, porque aquele professor não domina a Língua Brasileira de Sinais. Já na nossa instituição, por ter todo o seu ensino voltado para essa linguagem, o aluno vai ter contato com um professor que domina a Libras e isso possibilita um aprendizado maior, pois o conteúdo vai ser passado por meio da língua que eles conhecem.”

Ela complementou sua fala pontuando que muitas vezes nas instituições em geral não há interação entre os alunos surdos com os demais, além do problema de que há apenas um tradutor atuando durante um turno inteiro, o que acaba sendo muito cansativo, sendo que o ideal é que haja a presença de dois tradutores de Libras, para que eles possam alternar entre eles.

Na sequência, Gislane explicou a importância do sinal para a comunidade surda. “A comunidade surda se utiliza de um sinal para identificar cada pessoa e esse sinal vai ser justamente com características físicas ou comportamentais dessa pessoa. Vocês que são ouvintes chamam a pessoa pelo nome, né? Já o surdo para chamar alguém, vai chamar pelo sinal. Então para vocês vereadores é importante também que vocês tenham um sinal, para que a gente da comunidade surda identifique vocês.”

Em seguida, Gislane contou com a colaboração de alguns alunos da Ipaese para realizar o “batismo” dos vereadores com os seus respectivos sinais e, posteriormente, Alana Chagas, vice-presidente da instituição, fez a apresentação na tribuna apresentando os sinais de cada parlamentar.

O que disseram os vereadores

O vereador Iran Barbosa (PSOL) cobrou a implementação da lei que institui a inclusão da Libras no currículo das escolas da capital sergipana. “Gostaria de aproveitar a oportunidade da visita do Ipaese aqui à nossa Casa, para fazer um apelo à administração municipal de Aracaju, à prefeita e toda a sua assessoria, que o nosso município desde 2006 conta com uma lei municipal que tornou obrigatória a inclusão da Libras no âmbito do currículo escolar do município de Aracaju. Essa lei já passou, inclusive, por uma atualização, promovida pelo então vereador Lucas Aribé. Ou seja, desde 2006, já vai fazer vinte anos que temos lei que institui a obrigatoriedade da Libras no currículo escolar, e aqui eu estou fazendo um apelo para que ela seja cumprida, atualizada, se for o caso, porque já são vinte anos, mas que nós possamos ter a língua de sinais inserida no currículo das escolas municipais de Aracaju.”

O vereador Pastor Diego (União Brasil) reforçou o apelo do vereador Iran Barbosa e ressaltou a importância de proporcionar mais inclusão e acessibilidade à comunidade surda. “Eu quero me juntar aqui à fala do vereador Iran Barbosa. Eu confesso que não sabia dessa lei, mas eu quero falar sobre a importância da sua aplicabilidade. O sargento Byron fez um comentário comigo: ‘Já imaginou o que é você morar num país e não ter comunicação com as pessoas que estão ao seu redor?’ Então nós precisamos criar de fato essa cultura, as crianças precisam aprender a linguagem de sinais, elas precisam aprender a se comunicar. Precisa trazer em todos os ambientes essa inclusão e acessibilidade. A gente fala de tantas coisas e se esquece de falar desse mundo dos surdos, infelizmente. São pessoas que estão do nosso lado e muitas vezes não conseguem fazer uma faculdade, não conseguem desenvolver as suas vidas e nem usufruir dos serviços públicos da forma devida, então essa é uma pauta que merece a nossa atenção e a nossa sensibilidade.”

Por sua vez, o vereador Fábio Meireles (PDT) lembrou que existe um projeto de lei de sua autoria que visa à capacitação de servidores da saúde com a Libras para oferecer um suporte aos pacientes que precisam se comunicar por meio da linguagem de sinais. “Nós temos uma lei aprovada aqui nesta Casa de minha autoria que capacita os servidores públicos da área da saúde com a Língua Brasileira de Sinais, porque imagine uma pessoa chegar na unidade de saúde e não ter alguém com essa capacitação, como é que vai acontecer esse diálogo, como vai acontecer o fornecimento do medicamento, então a gente pede e se soma a essa fala e em breve esperamos ter essa lei aprovada para que possamos colocá-la em prática.”

A Tribuna Livre

A Tribuna Livre é o espaço reservado a cidadãos e entidades que desejam se manifestar a respeito de assuntos que interessem à coletividade; ou convidados que prestam esclarecimentos perante a Câmara Municipal. Na CMA, acontecem às terças-feiras, sempre depois da leitura do Expediente do Dia e antes do Pequeno Expediente.