Leitura religiosa não pode justificar opressão contra mulheres”, alerta Elber Batalha ao comentar fala machista em rádio

por Assessoria de Imprensa do Parlamentar — publicado 25/03/2026 10h26, última modificação 25/03/2026 10h26
Leitura religiosa não pode justificar opressão contra mulheres”, alerta Elber Batalha ao comentar fala machista em rádio

Foto: Luanna Pinheiro

Na tribuna da Câmara Municipal de Aracaju (CMA), nessa terça-feira, 24, o vereador Elber Batalha (PSB) demonstrou preocupação com discursos que, segundo ele, podem reforçar a violência contra as mulheres em Sergipe. O parlamentar tratou do tema ao comentar os recentes casos de feminicídio no estado e apresentou um áudio exibido em um programa de rádio da capital.

O material apresentado no plenário reproduzia o áudio de um ouvinte que, em participação no programa Jornal da Fan, da rádio Fan FM, atribui a violência contra mulheres a uma suposta inversão do papel feminino na sociedade, associando o tema a interpretações religiosas. Em um trecho, o ouvinte justificava os casos como uma guerra espiritual. “E isso não é uma coisa boa, até porque a gente sabe que é, quem é que participa de guerra? Quem participa da guerra é o homem, então quem tá preparado pra guerra é o homem, a mulher nunca tá preparada pra guerra”, declarava o participante, completando que a mulher quer fazer o papel do homem. 

Elber afirmou que o conteúdo o deixou alarmado e fez um apelo a líderes religiosos para que orientem corretamente os fiéis. “ preocupou muito ouvir um cidadão, num programa de grande audiência do nosso estado, tentar justificar o que está acontecendo com base em uma interpretação religiosa. A leitura de um texto bíblico não pode levar a esse tipo de entendimento”, comentou.

O vereador destacou que não pretendeu atribuir responsabilidade a nenhuma igreja específica, mas reforçou que líderes espirituais têm papel importante na formação de valores. “Chamo a responsabilidade de líderes religiosos para esclarecer que o discurso religioso deve ser de acolhimento e participação, e não de opressão ou submissão da mulher”.

Elber também comparou o teor da fala do ouvinte com mensagens atribuídas a um policial militar de São Paulo que matou a esposa, nas quais ele afirmava ser o “macho alfa provedor” e defendia que a mulher deveria ser submissa. Ao final, ele ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio passa também pela educação. “Isso ressalta cada vez mais a necessidade de educarmos nossos homens, ainda meninos, dentro de casa, para entenderem como se relacionar com o gênero feminino. É dessa educação que virá o resultado, senão as reprimendas serão sempre tardias e ineficazes”.