Jéssica Taylor recebe Título de Cidadania Aracajuana
De autoria da vereadora professora Sonia Meire (PSOL), a ativista política e defensora da população trans, Jéssica Taylor dos Santos, recebeu, na tarde desta quarta-feira (9), o Título de Cidadania Aracajuana, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Nascida no município de Brejo Grande, no interior sergipano, a nova cidadã aracajuana mudou-se para a capital ainda aos 11 anos. Mulher trans, de 52 anos, vivenciou violações e repressões durante o período da Ditadura Militar. Jéssica foi cofundadora da Associação de Travestis na Luta pela Cidadania (UNIDAS) e, desde 1998, milita em defesa da população trans, combatendo a transfobia e a estigmatização das pessoas com HIV/AIDS.
“Se eu resistir até hoje, aos meus 52 anos, esperar por esse título não foi nada. É emocionante ver tantas pessoas especiais que eu convidei e se fizeram presente. Eu sempre sonhei em entrar aqui na Câmara, e quando eu fui assessora de Linda aqui, eu ocupei sim este espaço, do lado de dentro. Nós não tínhamos nem direito de sair pelo dia, mas mesmo assim nós saímos. Se hoje eu estou aqui recebendo este título e resisti tanto tempo é por outras tantas mulheres trans e a luta pelos seus direitos. Para mim é uma felicidade ter contribuído para que outras ocupem esses espaços”, disse a homenageada.
A deputada estadual Linda Brasil (PSOL) destacou que já havia solicitado o título de cidadania aracajuana para Jéssica Taylor quando ainda era vereadora, mas que o trâmite não seguiu como esperado até que a vereadora Sonia Meire passou a insistir na proposta. “Sabemos as dificuldades que envolvem as pessoas trans, e finalmente este título merecido está sendo entregue e por uma vereadora do PSOL. Está aqui junto com Sonia entregando esse título é muito especial. Ela é uma sobrevivente, sei o que ela passou, e ela está contribuindo com a nossa mandata tem sido fundamental. E hoje de fato Jéssica é uma cidadã aracajuana”.
Sonia Meire destacou que Jéssica Taylor, uma menina negra que chegou aos 11 anos em Aracaju e enfrentou tantas adversidades, tem como sua primeira grande contribuição à cidade a própria resistência. “Jéssica tornou-se essa mulher corajosa que teve que aprender, a duras penas, a enfrentar um mundo cruel, racista e transfóbico. Após ser perseguida durante a Ditadura Militar, ela continuou sua busca por seus direitos e pelos das outras pessoas, lutando pelo direito de ser como é. Após décadas, ela passou de uma menina afugentada de casa para se tornar uma referência de sobrevivência, não como vítima, mas como uma mulher lutadora. Ela é nossa companheira de luta, de vida, e é assim que eu a considero e respeito. E poder fazer valer a aprovação desse título é um privilégio”, concluiu a vereadora.