Iran Barbosa destaca dados sobre a crise na saúde mental entre adolescentes brasileiros
Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes; e uma proporção semelhante também confessou que já teve vontade de se automutilar, revela a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Os dados da pesquisa foram destacados pelo vereador Iran Barbosa, do PSOL, na manhã desta quinta-feira (07), na tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, para chamar a atenção sobre o que apontou como uma “crise de saúde mental entre os adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos”.
“Nós estamos com uma geração marcada pela tristeza nas escolas, e os dados revelados nessa pesquisa exigem de todos nós mais do que conhecê-los. É preciso enfrentá-los. É importante que atentemos para os dados dessa pesquisa porque eles revelam como está a vida dos nossos adolescentes, a geração que, mais lá na frente, deve ocupar os espaços de destaque em nosso país”, enfatizou Iran.
O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, e a amostra é considerada representativa do universo de estudantes do país.
Números preocupantes
Iran Barbosa pontuou que, pelos números da pesquisa, 42,9% dos alunos ouvidos se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”.
“Esses números são muito graves e preocupantes, sobretudo porque se trata de uma população jovem e que tem uma vida inteira pela frente, que está começando a sua caminhada”, refletiu o parlamentar.
Outros dados da pesquisa apontados por Iran revelam que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa; 26,1% disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles; mais de um terço dos alunos também achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus problemas e preocupações; e 20% revelaram que foram agredidos fisicamente dentro de casa pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa.
“É importante destacarmos que em todos os indicadores que foram analisados pelo IBGE, os resultados entre as meninas são mais alarmantes que entre os meninos. Isso nos dá um recorte de gênero com muita nitidez, para que possamos compreender que não adianta ter políticas públicas que não levem em consideração a realidade das mulheres e das meninas do nosso país”, afirmou o parlamentar.
Iran foi enfático em apontar que a pesquisa do IBGE acaba por confirmar o fracasso nacional diante do que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que diz que, no Brasil, crianças e adolescentes devem ser tratados como prioridade absoluta.
“Neste sentido, quero retomar aqui algumas sugestões que já venho defendendo há algum tempo. É preciso que o município de Aracaju, o estado de Sergipe e o Brasil cumpram a lei que determina a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas de educação básica, isso é fundamental para que se possa ter um acompanhamento psicológico mais atento aos estudantes; também é preciso ampliar o atendimento nos CAPS para o público juvenil; é necessário, ainda, que haja políticas com corte de gênero, raça e território para identificar bem a realidade desse público e propor políticas públicas; e, obviamente, é preciso ter investimentos reais, porque as políticas de saúde mental não vão acontecer apenas com discursos de apoio e campanhas”, pontuou Iran Barbosa.