IPAESE debate acessibilidade e políticas públicas na Tribuna Livre
A vice-presidente do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe (IPAESE), Alana Chagas, utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju nesta terça-feira (05), para destacar a importância do fortalecimento de políticas públicas voltadas à inclusão e acessibilidade da população surda. A participação ocorreu em alusão ao Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Antes da fala, foi exibido um vídeo institucional apresentando a trajetória e as atividades do Instituto Pedagógico de Apoio à Educação do Surdo de Sergipe, que há 25 anos atua na educação bilíngue de pessoas surdas. Ex-aluna da instituição, Alana relembrou sua trajetória iniciada ainda na infância e destacou o papel do IPAESE na construção de sua formação pessoal e profissional.
“Foi a instituição que trouxe todo o sucesso que tenho hoje. Temos a missão de fomentar a identidade surda desses alunos e de toda a comunidade”, afirmou. Ela ressaltou que o instituto atende desde o ensino fundamental ao médio e desenvolve projetos como pré-vestibular, reforço escolar e ações do Núcleo de Psicologia, Psicopedagogia e Assistência Social (NUPPSSI), voltadas ao suporte emocional e social dos estudantes.
Durante o discurso, Alana fez um apelo aos parlamentares pelo retorno das emendas impositivas destinadas à instituição. Segundo ela, os recursos são fundamentais para a manutenção de projetos que garantem o desenvolvimento educacional e social dos alunos, especialmente aqueles cujas famílias não dominam a Libras. “Sem esse apoio, muitos estudantes ficam ociosos, sem acesso a atividades que promovam sua integração e aprendizado”, pontuou.
A vice-presidente também destacou iniciativas como o projeto “IPAESE Carreiras”, que auxilia estudantes na inserção no mercado de trabalho, e criticou a limitação de oportunidades oferecidas às pessoas surdas. “Nós não queremos ser restringidos a funções básicas. Temos capacidade para atuar em diversas áreas”, afirmou.
Entre as principais demandas apresentadas, Alana elencou a necessidade de construção de uma sede própria, a ampliação do transporte escolar para alunos em situação de vulnerabilidade, a disponibilização de estagiários para apoio em sala de aula e a inclusão da disciplina de Libras no currículo escolar.
O que falaram os vereadores
Os vereadores presentes reconheceram a relevância das pautas apresentadas e manifestaram apoio à instituição. O presidente da Casa, Ricardo Vasconcelos (PSD), destacou que o Legislativo tem buscado contribuir com iniciativas como as do IPAESE e afirmou que irá cobrar do Executivo a liberação das emendas destinadas à entidade. “É uma instituição que precisa ter prioridade”, destacou.
O vereador Pastor Diego (União Brasil) ressaltou o impacto do depoimento de Alana e defendeu maior inclusão das pessoas surdas, especialmente no mercado de trabalho. “Confesso que fui muito tocado por sua fala, Alana. Enquanto sociedade, precisamos nos envolver cada vez mais para inserir esse público na sociedade, e isso passa pela inserção da matéria de Libras na grade curricular”, falou.
Já Iran Barbosa (PSOL) lembrou a existência de legislação municipal que prevê o ensino de Libras na rede pública e reforçou a necessidade de sua efetivação. “Mês passado, por ocasião do Dia Nacional da Libras, trouxe para a Tribuna a cobrança de uma lei que já tem 20 anos, a lei 3.380 que torna obrigatório o ensino de libras no currículo escolar da rede municipal de ensino”, relembrou.
Fábio Meireles (PDT) informou que destinou emenda de R$ 100 mil ao instituto e cobrou a liberação dos recursos. “A emenda não é para mim, é para a instituição, para as pessoas que precisam do Ipaese. Nós precisamos fazer valer, porque esse dinheiro vai contribuir muito com essa instituição. Meu respeito a Alana e a todos que fazem o IPAESE acontecer”, explicou.
A vereadora Professora Sonia Meire (PSOL) criticou a ausência de políticas públicas efetivas para a inclusão de pessoas surdas. “No campo da educação, o IPAESE existe por meio de um convênio com a rede pública estadual, não existe política pública em Sergipe, nem no município que possa favorecer a inclusão de pessoas surdas, mesmo sendo obrigatórias e garantidas por lei. Tivemos um concurso recentemente na rede municipal, quantas pessoas com deficiência, e especialmente pessoas surdas, tiveram a oportunidade de concorrer e participar deste concurso? Existiram pessoas aprovadas para trabalhar na educação do município? A rede estadual também abriu concurso, abriram vagas para professores de Libras?”, refletiu.
Breno Garibalde (PSB) chamou atenção para a invisibilidade enfrentada por essa população no cotidiano. “A comunidade surda é muito invisibilizada. Imagine estar num local onde as pessoas não conseguem te atender, locais como banco, posto de saúde, serviços tão normais no dia a dia, e você não ter quem te atenda e faça suas demandas serem atendidas, mas pessoas surdas passam por isso diariamente”, falou.
O vereador Sargento Byron Estrelas do Mar (MDB) também defendeu a obrigatoriedade do ensino de Libras como ferramenta essencial para a inclusão social. “Órgãos públicos e instituições privadas ainda não têm essa capacidade de se comunicar de forma plena com as pessoas surdas. Então, é necessário que seja incluído com urgência o ensino obrigatório da Língua Brasileira de Sinais. Esperamos que isso seja realidade logo e as crianças já saiam da escola sabendo a Libras”, disse.
A Tribuna Livre
A Tribuna Livre é um espaço destinado à participação de cidadãos e entidades na Câmara Municipal de Aracaju, permitindo a apresentação de demandas e o debate de temas de interesse coletivo. As sessões ocorrem às terças-feiras, após a leitura do Expediente do Dia.