Grande Expediente: Câmara de Aracaju debate combate ao feminicídio, quadrilhas juninas e limpeza urbana

por Max Augusto / Da Agência CMA — publicado 24/03/2026 15h14, última modificação 24/03/2026 15h14

A 18ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Aracaju, realizada nesta terça-feira, 24, foi marcada por debates intensos sobre a segurança das mulheres e a infraestrutura da capital. Os vereadores utilizaram o Grande Expediente para cobrar ações efetivas contra o aumento dos casos de feminicídio em Sergipe e denunciar o estado de abandono da limpeza pública em diversos bairros periféricos. Além disso, pautas sobre avanços na educação e a preservação das tradições culturais juninas também ganharam destaque na tribuna da Casa do Povo.

Anderson de Tuca
O vereador Anderson de Tuca (União Brasil) manifestou indignação com os recentes casos de feminicídio, relacionando-os ao machismo estrutural e ao abuso de substâncias como álcool e drogas. Ele apresentou um vídeo instigando os homens a confrontarem comportamentos tóxicos em seus círculos sociais, como piadas machistas e controle excessivo sobre as companheiras. Para o parlamentar, o silêncio masculino diante desses sinais iniciais de violência contribui diretamente para a formação de futuros agressores.

Ele defendeu a implementação do projeto "SOS Mulher Protegida", que visa o monitoramento 24 horas de mulheres que já possuem boletins de ocorrência e medidas protetivas. Anderson ressaltou que, por ser pai de duas filhas, sente a urgência de ferramentas tecnológicas que permitam uma rede de apoio familiar e policial mais ágil. A proposta busca evitar que mulheres que já denunciaram homens acabem se tornando vítimas de mais violência pela ineficácia do sistema de proteção atual.

Por fim, criticou a falta de celeridade da Justiça e defendeu a aplicação de prisões preventivas imediatas em casos de agressão confirmada, para servir de exemplo. Ele também ressaltou a importância de incluir o respeito à mulher como uma disciplina efetiva nas escolas, indo além dos discursos institucionais vazios. Para o vereador, a busca pela felicidade e a liberdade das mulheres não devem ser cerceadas por relacionamentos tóxicos que as mantêm como reféns.

Binho
Já o vereador Binho (Podemos) expressou sua preocupação com o declínio das quadrilhas juninas em Aracaju, alertando que a quantidade de grupos ativos caiu de 50 para menos de dez nas últimas décadas. Segundo o vereador, o problema atual não é apenas financeiro, mas sim a falta de novos "brincantes" interessados em manter a tradição viva. Ele teme que, se nada for feito, em dez anos essa manifestação cultural essencial desapareça completamente da identidade da capital sergipana.

Para enfrentar o problema, ele defendeu um projeto de lei de sua autoria que incentiva a prática da quadrilha junina dentro das escolas públicas e particulares. Binho acredita que é necessário despertar o sentimento de pertencimento nas crianças, para garantir o futuro do São João, o maior patrimônio cultural do estado. Ele cobrou uma ação conjunta entre as secretarias de educação e cultura para revitalizar esses grupos folclóricos nas comunidades.

O parlamentar também se posicionou sobre o feminicídio, chamando os agressores de "homens nojentos" e defendendo que eles nunca mais saiam da cadeia. Ele anunciou o protocolo de um projeto para instalar códigos QR em ônibus e terminais de integração, facilitando denúncias imediatas de assédio e violência contra mulheres. Binho encerrou pedindo que a prefeitura coloque medidas tecnológicas práticas em funcionamento para proteger as usuárias do transporte público.

Elber Batalha
Elber Batalha (PSB) celebrou o fato de Sergipe ter alcançado o "Selo Ouro" em alfabetização, saindo das últimas posições no ranking nacional de ensino. Ele parabenizou a equipe da Secretaria de Estado da Educação e defendeu que sistemas de metas e bonificações para professores e alunos foram fundamentais para esse resultado histórico. O vereador sugeriu que essa gestão orientada por resultados positivos deve ser um exemplo de eficiência a ser seguido por outras pastas administrativas.

Em um segundo momento da sua fala, Elber fez duras críticas à prefeitura pela precariedade da limpeza urbana, exibindo imagens de mato alto e lixo acumulado em diversos pontos da cidade. Elber afirmou que a gestão municipal "olha, mas não enxerga" o abandono em que se encontram bairros afastados do eixo turístico, como a periferia de Aracaju. Ele associou a recente rescisão de contrato com a empresa BTS à pressão exercida pela oposição e cobrou fiscalização rigorosa dos novos serviços.

Outro ponto de sua fala foi a crítica contundente ao uso de narrativas religiosas distorcidas para justificar a submissão feminina. O vereador repudiou declarações que associam a violência doméstica a uma suposta "subversão do papel bíblico da mulher" devido às conquistas de direitos e igualdade. Batalha convocou líderes religiosos a combaterem interpretações que promovem o machismo e a opressão, reforçando o papel de proteção e acolhimento.

Fábio Meireles
Fábio Meireles (PDT) utilizou a tribuna para denunciar falhas graves na infraestrutura do Loteamento Isabel Martins e dos bairros Tamandaré, Santo Antônio e Industrial. Ele apresentou vídeos de tampas de bueiros quebradas em curvas perigosas, o que tem causado acidentes e colocado a vida de motoristas em risco constante. O vereador cobrou reparos imediatos da administração municipal para garantir a segurança viária mínima necessária nessas localidades.

Meireles relatou casos de moradores que sofrem com esgoto invadindo suas residências e a proliferação de doenças devido à falta de drenagem adequada. Ele criticou a ausência de limpeza nos canais da cidade, afirmando que o acúmulo de areia impede o escoamento das águas, gerando inundações durante as marés altas. O parlamentar exigiu que os secretários municipais visitem as ruas para verificar pessoalmente a "dignidade perdida" dos cidadãos da periferia.

Por fim, exibiu imagens de calçadas tomadas pelo matagal no Bairro Industrial, o que impede o trânsito livre de pedestres e, principalmente, de cadeirantes. Fábio classificou a situação como um desrespeito flagrante à acessibilidade e ao direito básico de ir e vir da população aracajuana. Ele concluiu afirmando que continuará trazendo a verdade ao parlamento para forçar mudanças na gestão dos serviços de capinagem e poda.