Durante o Grande Expediente, vereadores denunciam privatização, crise no abastecimento e cobram prestação de contas

por Max Augusto Santos de Araújo publicado 03/03/2026 16h13, última modificação 03/03/2026 16h13

A 10ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Aracaju, realizada neste 3 de março de 2026, contou com um Grande Expediente pautado por críticas à gestão municipal. Entre os principais temas, destacaram-se o suposto sucateamento e plano de privatização dos mercados centrais, o não pagamento de emendas impositivas parlamentares e a persistente crise no abastecimento de água e drenagem urbana da capital.

O vereador Camilo Daniel (PT) iniciou sua fala prestando solidariedade à colega Selma França (PSD), que relatou ter sido desrespeitada por um servidor municipal durante fiscalização. Ele defendeu a firmeza do mandato parlamentar diante do que classificou como cenas lamentáveis de desrespeito à representação popular.

Em seguida, o parlamentar denunciou o atraso sistemático no pagamento das emendas impositivas de 2024 e 2025, classificando o ato como uma afronta ao Poder Legislativo. Segundo ele, instituições sérias de saúde e cultura estão sendo prejudicadas pela falta de repasses que são prerrogativa dos vereadores e não uma concessão da prefeitura.

Camilo também abordou a crise generalizada no abastecimento de água em bairros como Porto Dantas e Coqueiral, além de criticar as enchentes recentes. Ele atribuiu alguns alagamentos à falta de limpeza de bueiros e à existência de obras inacabadas, exigindo providências imediatas da empresa Iguá e da gestão municipal.

Mercados
Elber Batalha (PSB) centralizou seu discurso na denúncia de um plano de privatização dos mercados Thales Ferraz, Antônio Franco e Virgínia Franco. O vereador acusou a prefeitura de promover um sucateamento proposital dessas áreas, que são patrimônio histórico e gastronômico, para justificar a entrega à iniciativa privada.

O vereador questionou a contratação, por dispensa de licitação, da fundação FIPECAF por mais de R$1,4 milhão para realizar estudos de viabilidade dessa privatização. Para ele, o valor é exorbitante e a empresa não possui expertise comprovada na gestão de mercados públicos ou em aspectos culturais e turísticos.

Batalha anunciou que protocolará uma representação no Ministério Público Estadual para anular a contratação e responsabilizar os envolvidos. Ele argumentou que o contrato é um contrassenso administrativo, pois gasta verba pública apenas para estudar como entregar o patrimônio a terceiros no futuro.

Prestação de contas
Fábio Meirelles (PDT) subiu à tribuna para cobrar a presença do secretário de Finanças, Sidney Thiago, para a prestação de contas do último quadrimestre. Ele alertou para a queda na capacidade de pagamento do município (CAPAG C), atribuindo a situação a uma possível incompetência da gestão financeira atual.

O parlamentar também exibiu vídeos antigos da prefeita Emília Correa, de quando ela era vereadora da oposição, para confrontar suas promessas de solução simples para as enchentes. Meirelles apontou que, na prática, a atual gestão falha no básico, como a limpeza permanente de bueiros e bocas de lobo.

Diálogo diplomático
Iran Barbosa (PSOL) dedicou parte de seu tempo a uma reflexão sobre a geopolítica mundial e a necessidade de resgate do diálogo diplomático. Ele criticou as intervenções bélicas no Oriente Médio e o que chamou de estímulo ao ódio por governantes que fragilizam o tecido social e os direitos trabalhistas.

Mudando para o cenário estadual, o vereador manifestou apoio à luta dos auditores fiscais de Sergipe, que buscam diálogo com o governo para negociar pautas de 2025. Barbosa defendeu que o Fisco é fundamental para o desenvolvimento das políticas públicas e pediu que o governador instale uma mesa de negociação.

Por fim, o parlamentar reforçou que a capacidade de resolver problemas de forma pacífica e democrática está em extinção. Ele apelou para que os princípios civilizatórios sejam retomados tanto nas relações internacionais quanto no tratamento dado aos servidores públicos locais.