Crise no abastecimento de água e zeladoria urbana marcam debates no Grande Expediente
Durante a 32ª Sessão Ordinária, realizada nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, o Grande Expediente da Câmara Municipal de Aracaju foi marcado por pronunciamentos sobre problemas no serviço de distribuição de água na capital, críticas à manutenção da limpeza pública e o anúncio de novos protocolos de inclusão para pessoas neurodivergentes.
Limpeza
O vereador Fábio Meireles (PDT) abriu as discussões manifestando sua preocupação com o estado de abandono da zeladoria urbana sob a atual gestão municipal. O parlamentar apresentou registros de avenidas rodeadas por mato e lixo, na zona norte e sul, contrastando a situação atual com o histórico de Aracaju como uma cidade tradicionalmente limpa e organizada.
“A prefeita Emília é forte em cobrar. Mas quando cobra dentro da sua gestão, ou seus secretários não obedecem a orientação ou estão fazendo aquilo que vossa excelência deseja, que é deixar Aracaju nesse desmando”, afirmou o parlamentar, dizendo ainda que a população está sofrendo com a falta de continuidade dos serviços básicos de limpeza.
No tocante à crise hídrica, Meireles defendeu a atuação do governador Fábio Mitidieri e levantou a hipótese de sabotagem no sistema de distribuição, mencionando episódios semelhantes ocorridos em Itabaiana. O parlamentar pontuou que o governo estadual tem se esforçado para garantir que a concessionária Iguá atenda adequadamente à população, mas sugeriu que adversários políticos podem estar agindo para prejudicar o serviço.
Encerrando sua fala, o parlamentar criticou a postura da prefeitura em relação à Avenida Maranhão, apontando contradições entre as declarações da prefeita e de sua secretaria de comunicação e cobrando o andamento das obras no local.
Abastecimento
Na sequência, o vereador Iran Barbosa (PSOL) utilizou a tribuna para exigir uma investigação profunda e independente sobre as denúncias de sabotagem no sistema de abastecimento de água. O parlamentar defendeu que o processo seja acompanhado por órgãos externos e pela sociedade civil, ressaltando que o acesso à água é um direito elementar para a sobrevivência e para o funcionamento de serviços essenciais como escolas e clínicas.
Barbosa citou uma nota técnica do sindicato da categoria (Sindisan), que classifica a tese de sabotagem como uma possível cortina de fumaça para esconder a incapacidade técnica da empresa Iguá. Segundo o relato técnico apresentado pelo vereador, o vandalismo em um único registro não justificaria o desabastecimento em áreas tão vastas, visto que o sistema afetado representa menos de 20% do volume destinado àquelas localidades.
O parlamentar enfatizou que o problema central reside na falha do sistema de bombeamento e na falta de perícia da concessionária em realizar os remanejamentos necessários, algo que os técnicos da Deso faziam com propriedade.
Como encaminhamento prático, o vereador propôs a criação de um Conselho Estadual de Acompanhamento e Controle Social do Abastecimento de Água. Além disso, reivindicou a apresentação imediata de um plano de compensação financeira aos usuários pelos danos sofridos e a aplicação de multas severas à concessionária pelo descumprimento dos prazos de regularização.
Água
O vereador Sargento Byron (MDB) também citou em seu discurso a problemática do desabastecimento, reconhecendo as dificuldades enfrentadas tanto na zona norte quanto na zona sul da capital. Ele reconheceu os investimentos realizados pela empresa Iguá Sergipe, pontuou a questão da possível sabotagem na rede, mas elogiou a postura do governo do estado, que, segundo o parlamentar, não tem se furtado da responsabilidade de buscar resolver o problema.
“Existe hoje uma disputa de falas, através da prefeita Emília e do governador Fábio. Eu gostaria muito que a gente tivesse neste momento o foco na resolução destes problemas. Que todos os políticos que cuidam do bem-estar da população de Aracaju estejam engendrando esforços para minimizar esses impactos. Temos visto a força, a coragem, o empenho do governador para que esta questão da Iguá seja resolvida”, afirmou Byron.
Por fim, o parlamentar dedicou parte de seu tempo para destacar ações voltadas à inclusão social e ao suporte a famílias de pessoas atípicas. Ele parabenizou a Polícia Militar de Sergipe pelo projeto Provida, que promove acolhimento e orientação para policiais que possuem filhos com deficiência. Byron, que recentemente foi homenageado por sua atuação na causa do autismo e pelo projeto Estrelas do Mar, reforçou o compromisso do mandato com a defesa dos direitos das pessoas neurodivergentes, enfatizando que "a corporação que inclui é a que retém e não perde processos por discriminação".
TEA
A vereadora Thannata da Equoterapia (Avante) encerrou os pronunciamentos do Grande Expediente celebrando a adoção de um novo protocolo de atendimento humanizado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Hospital Fernando Franco. A parlamentar detalhou a implementação de kits sensoriais de emergência, compostos por protetores auriculares, óculos escuros e bolas fisioterapêuticas, destinados a atender ou prevenir crises em ambientes hospitalares.
Segundo a vereadora, a inclusão verdadeira se manifesta em gestos simples e recursos básicos que transformam a experiência de pacientes neurodivergentes em momentos de vulnerabilidade de saúde.
Sobre a crise hídrica, a vereadora relatou situações presenciadas em bairros como Santa Maria e 17 de Março, onde cidadãos precisam coletar em baldes a água proveniente de um cano estourado. Ela narrou ainda o caso de um morador do povoado Sítios Novos, em Canindé, que está há quatro meses sem água nas torneiras, apesar de manter as faturas da concessionária devidamente pagas. Thanata encerrou seu discurso advertindo que o governo e a empresa não podem se esconder atrás da tese de sabotagem, reiterando que a falta de água compromete inclusive tratamentos vitais, como sessões de hemodiálise.