Altos cachês cobrados por artistas, defesa das emendas parlamentares e prévias carnavalescas marcam o Pequeno Expediente

por Fernanda Nery - Agência CMA — publicado 10/02/2026 14h04, última modificação 10/02/2026 14h04
Altos cachês cobrados por artistas, defesa das emendas parlamentares e prévias carnavalescas marcam o Pequeno Expediente

Foto: Luanna Pinheiro

O Pequeno Expediente desta terça-feira (10/02) teve início com o presidente da Casa, o vereador Ricardo Vasconcelos (PSD), que falou sobre os altos valores cobrados por artistas para se apresentarem em eventos públicos. Segundo o parlamentar, esses cachês exacerbados acabam inviabilizando a participação desses artistas nos eventos públicos. “Espero que eles repensem os valores dos cachês, porque senão Sergipe como um todo, inclusive eu, estou ouvindo de vários prefeitos que nós teremos uma série de dificuldades para ter um São João com as atrações que o povo tanto quer”. O vereador complementou sua fala ressaltando que a verba pública deve priorizar áreas como a saúde e a educação, para depois fazer as festas que cabem no bolso.

Em seguida, Ricardo Vasconcelos falou sobre a repercussão a respeito da aprovação, na última quinta-feira (05/02), da lei complementar que dispõe sobre a proposição e a execução de emendas parlamentares individuais impositivas na lei orçamentária anual do município de Aracaju. O vereador fez questão de destacar que “quando nós aprovamos no orçamento a nossa rubrica, aquele dinheiro é como se fosse uma cláusula pétrea, ninguém mexe. O Executivo apenas arrecada o dinheiro e paga”. O parlamentar finalizou seu discurso enfatizando que as emendas são dos vereadores de Aracaju, justamente para promover melhorias para a população.

A vereadora Selma França (PSD) relatou que no dia 31/01 participou do retorno do bloco Segura o Bicho, no bairro Industrial. A parlamentar exibiu imagens do evento no plenário e destacou que o bloco “representa a força do carnaval de rua, um carnaval feito nos bairros, com o povo ocupando os espaços públicos com alegria e pertencimento”. Selma França se emocionou durante o discurso, pois disse que a mobilização e alegria do bloco a fez lembrar de sua mãe, que hoje estaria completando 102 anos. Na sequência, a vereadora citou a reunião que teve com a prefeita Emília Corrêa para solicitar algumas intervenções no largo da Aparecida e elogiou as ações que foram realizadas no local poucos dias depois.

O vereador Sargento Byron (MDB) destacou a necessidade de implementação das emendas impositivas, de modo que as instituições contempladas, de fato, recebam os recursos que lhe foram destinados. O parlamentar ainda ressaltou os desafios da educação inclusiva na cidade e a importância dos profissionais que acompanham as crianças que possuem algum tipo de deficiência nas escolas. “Esses profissionais devem ser bem escolhidos, porque além de acompanhar nas atividades básicas da criança, também acompanham o desenvolvimento educacional. Então, eu quero entender quais são ainda os obstáculos que a secretaria está enfrentando, para que a gente possa se somar”. Ao finalizar seu discurso, Sargento Byron enfatizou que a escola não deve ser depósito de crianças e que deve promover o desenvolvimento, o aprendizado e a inclusão efetiva.

O vereador Vinícius Porto (PDT) utilizou a tribuna para elogiar os blocos de rua, que promovem o Carnaval nos bairros. Ele parabenizou, em especial, o bloco do Galo, que fez a prévia carnavalesca, neste sábado, no bairro Agusto Franco, e o bloco do Saudoso Tuca, que alegrou os moradores do bairro Siqueira Campos. O parlamentar ainda aproveitou a oportunidade para falar sobre a entrega da praça na localidade, uma das lutas encampadas pelo vereador Anderson de Tuca (União Brasil).

O vereador Alex Melo (PRD) repercutiu a fala de alguns vereadores que o antecederam no Pequeno Expediente. Ele também criticou os altos valores cobrados por artistas para se apresentarem em eventos públicos. O parlamentar enfatizou que esses recursos poderiam ser utilizados em outras demandas mais necessárias para a população. Alex Melo também abordou as inúmeras dificuldades enfrentadas sobretudo por mães atípicas, para que as crianças com deficiência tenham os serviços necessários disponibilizados. “A gente poderia inclusive investir mais nisso, em vez de investir em artistas para promover o Carnaval. Investir em casas de apoio, em políticas públicas, por exemplo, para ajudar essas mães”, salientou.

O vereador Breno Garibalde (Rede) abordou as fortes chuvas que atingiram o estado de Sergipe no último final de semana, com várias cidades alagadas. O parlamentar destacou que as cidades não estão preparadas para enfrentar esses eventos climáticos, que estão acontecendo com frequência ultimamente. “Os cientistas alertam que a quantidade de chuvas só vai aumentar e isso vai acontecer cada vez mais num curto espaço de tempo”. Breno Garibalde também criticou o fato de que as pessoas continuam pensando as cidades da mesma forma, apenas no asfalto e no concreto, sem políticas públicas efetivas para o meio ambiente.

O vereador Lúcio Flávio (PL) também participou do pequeno expediente e parabenizou a presidente da Associação de Moradores do conjunto Novo Horizonte pelo trabalho realizado junto à comunidade. Outro assunto abordado pelo parlamentar foi a agilidade das obras na região do acesso à Orla Pôr do Sol, promovidas pela prefeita Emília Corrêa e a Emurb. Lúcio Flávio relatou que muitos empreendedores o procuraram no ano passado preocupados com os transtornos provenientes dessa obra.

O vereador Miltinho Dantas (PSD) parabenizou o vice-presidente do Confiança, vereador Vinícius Porto, pela reestruturação do modelo de gestão do time, que teve êxito na partida do último domingo contra a equipe do Itabaiana. O parlamentar também parabenizou os vereadores que promoveram a prévia carnavalesca no final de semana, a exemplo do vereador Anderson de Tuca, com o bloco Saudoso Tuca, no bairro Siqueira Campos, e também o vereador Nitinho, com o bloco do Nito, no bairro do Garcia. Ao finalizar seu discurso, Miltinho Dantas fez questão de reforçar a independência do Poder Legislativo, numa referência à fala do presidente Ricardo Vasconcelos, que defendeu as emendas parlamentares.

A última oradora do Pequeno Expediente foi a vereadora Professora Sonia Meire (PSOL), que falou sobre a publicação da classificação que diz respeito à capacidade da prefeitura de pagamento das suas despesas. “Houve queda no indicador de liquidez de 0,7%, em 2024, para -2,39%”. A parlamentar ressaltou que sempre que o secretário de Finanças vai apresentar o relatório periódico na Câmara, os vereadores questionam a capacidade de liquidez da prefeitura. Sonia Meire ainda aproveitou para citar a justificativa da prefeitura de que “existem aspectos no orçamento que precisavam ser observados, como o fato de ter que pagar dívidas da gestão anterior, e, por isso, não teve como cumprir o nível que existia”. Por fim, a vereadora ainda questionou o argumento utilizado pela prefeitura. “As dívidas da gestão anterior somam R$191 milhões e a arrecadação da prefeitura é muito superior a isso. Como justificar que não tem capacidade de liquidez, se o aumento no orçamento de 2024 para 2025 foi de R$700 milhões?”, questionou.