Tribuna Livre recebe conselheiro fiscal do Instituto Braços
O espaço Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju recebeu, na manhã desta terça-feira, 20, Carlos Trindade, conselheiro fiscal do Instituto Braços – Centro de Defesa dos Direitos Humanos em Sergipe. O objetivo foi apresentar a instituição, os trabalhos desenvolvidos, além de falar sobre a criação da Casa de Cultura Beatriz Nascimento (CCBN).
Carlos Trindade iniciou sua fala destacando a importância do Instituto na defesa dos direitos humanos. “O Instituto Braços é uma instituição que existe desde 2008 aqui em Sergipe e que trata de um tema que hoje cada vez mais se torna imprescindível para a sociedade brasileira, que são os direitos humanos, os direitos da vida, o combate ao racismo, o combate ao machismo e o combate a todas as formas de intolerância”.
O conselheiro ainda fez questão de ressaltar a missão da entidade e a forma como ela se organiza, por meio de programas. “O Instituto tem como missão promover a cultura de direitos humanos por meio da defesa de direitos, de estudos e pesquisas e do controle social das políticas públicas, recorrendo sempre a mecanismos de afirmação da igualdade, da ética, da valorização e do empoderamento socioeconômico de grupos historicamente oprimidos. A entidade se organiza com base em quatro programas: eixo de enfrentamento ao racismo, programa de direitos humanos, programa de sustentabilidade e fortalecimento de organizações da sociedade civil”, explicou.
Em seguida, o conselheiro exibiu um vídeo em que apresentou o projeto de inclusão socioeconômica e cultural Casa da Cultura Beatriz Nascimento. “Para quem não conhece, Beatriz Nascimento é sergipana e conhecida como uma das maiores intelectuais brasileiras que atua nessa área de combate ao racismo e na área da inclusão social com as comunidades quilombolas.” Segundo ele, o projeto será instalado em Aracaju e tem o intuito de mobilizar a sociedade civil, os governos federal, estadual e municipal, nas esferas do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
Carlos Trindade ainda fez questão de chamar a atenção para a importância da soma de esforços e das parcerias para promover melhorias na sociedade. “Nós entendemos que não dá para construir e buscar soluções para os problemas sociais de qualquer local de forma isolada, então não adianta a gente, enquanto sociedade civil, empreender esforços sem o apoio do poder público e de empresas que possuem responsabilidade social.”
Ele também enfatizou a perspectiva da sustentabilidade que o projeto da Casa de Cultura traz. “O projeto envolve um modelo de gestão que, ao envolver o mercado empresarial e, ao envolver as ações governamentais no campo das políticas públicas, a gente possibilita que todos os custos fixos do espaço sejam pagos e as entidades que estão sediadas lá possam desenvolver seus trabalhos sem a preocupação com a manutenção do espaço. Além disso, a gente quer, por exemplo, colocar todo um sistema de energia solar que vai reduzir os custos de energia elétrica, que é um dos mais caros que a gente tem.”
Ao finalizar seu discurso, o conselheiro destacou que a Casa de Cultura contará com quatro espaços. “Tem o espaço cidadania, que é um local compartilhado para entidades da sociedade civil, a gente tem ainda um espaço de capacitação e incubação de empreendimentos, temos também um espaço gastronômico, que vai ser oferecido para empresas do mercado e que queiram trabalhar nessa área e paguem os custos de ocupação do local, além de um espaço cultural. Então, são alternativas de sustentabilidade que vão garantir vida longa a esse projeto.”
O que disseram os vereadores
O vereador Iran Barbosa (PSOL) elogiou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Braços. “O que eu acompanho, o que eu vejo, é que é um trabalho sério e respeitado, que se coaduna muito com a nossa luta dos direitos humanos. É uma satisfação imensa ver um projeto dessa natureza e dessa envergadura, inclusive a homenagem à Beatriz Nascimento é muito bem acertada, e espero que de fato vocês contem com o apoio necessário para que esse projeto vire realidade e o nosso mandato está à disposição para contribuir na execução desse bonito projeto. Parabéns pela iniciativa.”
Em seguida, o vereador Camilo Daniel (PT) ressaltou a relevância dos projetos que a entidade possui. “Eu conheço o trabalho que o Instituto Braços realiza e acho extremamente fundamental para esse período, e já que a gente tem emendas parlamentares, que a gente possa contribuir com projetos sérios e tão importantes para a sociedade como esse. Então, o Instituto Braços pode contar com o nosso mandato e também no que for preciso aqui dentro da Casa Legislativa para dialogar com os demais vereadores que aqui não estiveram na manhã de hoje.”
A vereadora Sonia Meire (PSOL) enfatizou a trajetória do instituto apresentada pelo conselheiro. “Quero agradecer o trabalho que o instituto Braços vem realizando em Aracaju e no estado de Sergipe como coletivo que defende os direitos humanos. Quero também fazer o registro de que a entidade tem sido, nesse pouco tempo de história, um braço muito forte na defesa das populações mais vulneráveis e de casos inclusive muito graves que já aconteceram na cidade de Aracaju, de ameaças e de perdas de vida, na luta contra o racismo. Nesse sentido, eu entendo a sensibilidade desse empreendimento e quero dizer que a Câmara Municipal de Aracaju pode sim acreditar nesse projeto para fortalecer a sua atuação.”
Por fim, o vereador Isac Silveira (União Brasil) também falou sobre a importância do instituto e destacou sua iniciativa de agregar esforços, independentemente de ideologias partidárias. “Quero aqui me somar aos demais vereadores e dizer que certamente a prefeita Emília terá muito orgulho em recebê-los. Eu fico muito feliz quando você fala que não há uma política de egoísmo, de fechamento, nós temos que quebrar as barreiras partidárias e a sua apresentação do Instituto Braços nos deu a dimensão, sobretudo da luta dos direitos humanos. É muito bom saber que vocês estão abertos para ouvir os diversos atores da política. Política só tem valor se for para transformar o mundo.”
A Tribuna Livre
A Tribuna Livre é o espaço reservado a cidadãos e entidades que desejam se manifestar a respeito de assuntos que interessem à coletividade; ou convidados que prestam esclarecimentos perante a Câmara Municipal. Na CMA, acontecem às terças-feiras, sempre depois da leitura do Expediente do Dia e antes do Pequeno Expediente.