Privatização da saúde em Aracaju é criticada pela vereadora Sonia Meire

por Manuella Miranda- Assessoria de Imprensa do Parlamentar — publicado 12/02/2026 11h39, última modificação 12/02/2026 11h39
Privatização da saúde em Aracaju é criticada pela vereadora Sonia Meire

Foto: Luanna Pinheiro

A vereadora Sonia Meire (PSOL) utilizou a tribuna na última quarta-feira, dia 11, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) , para criticar a privatização dos serviços de saúde do município de Aracaju pela gestão de Emília Corrêa. O tema tem sido assunto de debates públicos, muitas reinvindicações e bastante atuação dos sindicatos da área de saúde em defesa do serviço público. A parlamentar criticou a entrega da gestão dos hospitais e unidades de saúde para Organizações Sociais (OSs), que muitas vezes não têm experiência nem capacidade para administrar, e ainda geram contratos milionários.

 
“O processo de terceirização na verdade é uma porta aberta para a privatização. Nós sempre estamos indo aos hospitais e unidades básicas, acompanhado as demandas da população e, desde que Emília assumiu, eu passei três meses sem fazer estas visitas para poder ver, entender o início da gestão. E quando eu fui em maio no Fernando Franco, o hospital apresentava uma lista de ar-condicionados que foram pedidos e que seriam colocados em um mês, até hoje não foi feita esta instalação. Essa unidade de saúde vem sendo cada vez mais deteriorado e a única intervenção que foi feita pela gestão foi ampliar a urgência pediátrica, inclusive com emendas desta casa. Ocorre que, desde a inauguração, esta urgência vem apresentando problemas, inclusive, na semana passada, um ar-condicionado começou a fumaçar e as crianças foram removidas às pressas”, disse a vereadora.
 
A gravidade do que vem acontecendo com a saúde no município de Aracaju está acontecendo e sendo aprofundada pela atual gestão, justamente para justificar a entrega dos serviços às terceirizações. Essa gestão, desde que assumiu, antes de contratos de Processo Seletivo Simplificado (PSS) terminarem, começou a demitir pessoas e colocarem outras como cargos comissionados, como enfermeiras e técnicas de enfermagem, pessoas que passaram por seleção pública, sem pedir a ninguém sua indicação. Várias denúncias têm chegado para vereadora Sonia Meire, de atrasos de salários do mês de janeiro, inclusive de estatutários, de médicos, e que agora, no mês de fevereiro, ainda estavam pagando salários de dezembro.
 
“Nós estamos analisando as contratações por meio das OSs. O município está usando recursos públicos do fundo municipal de saúde para repassar para empresas privadas, limitando o atendimento dos serviços. Têm pacientes saindo da Zona Norte para Zona Sul para serem atendidos, não importa qual a condição do usuário, se ele tem dinheiro para pegar um transporte. É responsabilidade de uma unidade de urgência e emergência, quando não pode atender, ela tem que transferir, fazer a regulação e se responsabilizar por isso. Inclusive, crianças, quando chegam na pediatria do Fernando Franco, e tem até um mês, recém-nascidas, não são atendidas lá. A gestão está ampliando o que já tinha com Edvaldo e aprofundando a terceirização. Cerca de 35% do fundo da saúde está sendo usado para pagar as Organizações Sociais”, destacou Sonia Meire.
A vereadora disse ainda que existem contratos ilegais, sem chamamento público e sem estudo para a contratação de empresas como a IDEAS, que não tem capacidade para gerir as 45 unidades básicas de saúde. “Existem denúncias de diversas organizações sociais por todo país, porque são essas instituições que têm não só atrasado salários, desrespeitados trabalhadores, desvio de recursos, condições precárias de atendimento, uma série de problemas. Aracaju está abrindo mão da universalização do atendimento, estimulando a corrupção e impedindo o controle social. E quero repudiar todo esse processo de terceirização da saúde na gestão de Emília, e essa é uma das causas pelas quais a pontuação de Aracaju caiu para letra C, porque são contratos milionários, sem poder pagar o que se deve”.