Linda Brasil repudia o assassinato transfóbico da jovem trans Natasha Santos

por Anderson Muniz, Assessoria de Imprensa da parlamentar — publicado 28/10/2024 07h00, última modificação 28/10/2024 14h59
Linda Brasil repudia o assassinato transfóbico da jovem trans Natasha Santos

Foto: Assessoria do parlamentar

A vereadora Linda Brasil (Psol) lamentou o assassinato ocorrido na segunda-feira , 8, durante a madrugada, da jovem de 16 anos Natasha Santos que foi encontrada morta em um matagal, na região do bairro Coroa do Meio. O corpo foi encontrado com sinais de espancamento em várias partes, este assassinato brutal representa a face mais cruel da violência sofrida em todos os níveis contra pessoas trans. “Infelizmente, já começamos o ano de 2021 com nossa cidade entrando nas estatísticas terríveis de assassinato de pessoas trans”, afirmou a parlamentar.

O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de transexuais. Dados do DOSSIÊ ASSASSINATOS E VIOLÊNCIA CONTRA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS BRASILEIRAS EM 2020, da ANTRA, indicam que o país está no 1º lugar no ranking dos assassinatos de pessoas trans no mundo, com números que se mantiveram acima da média. Chegamos ao número de 175 assassinatos, todos contra pessoas que expressavam o gênero feminino. O que revela uma grande misoginia em nosso território. Lembrando que este número pode estar subnotificado tendo em vista a falta de preparo do aparato de segurança pública do país para acolher e detectar estas demandas.

De acordo com o último relatório da Transgender Europe (TGEU), lançado em 2020, 98% das vítimas de assassinatos globais, são pessoas que vivenciam o gênero feminino. Dado que aponta o gênero como um dos fatores centrais que colocam essa parcela da população em risco, aumentado de violências e de serem vítimas de assassinatos.

É INACEITÁVEL que, após 70 anos da vigência da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a mandata da Vereadora Linda Brasil vem a público manifestar sua indignação e repúdio pelo assassinato de Natasha, jovem mulher trans-travesti que teve sua vida ceifada de forma brutal e violenta.

A condição de não ser aceita socialmente e não ter, como as pessoas cisgênero a possibilidade de ser respeitada em sua identidade faz com que muito cedo as pessoas trans, principalmente as mulheres, saiam de casa, justamente por não contarem com uma rede de proteção na família, escola e também em ambientes sociais. Nestes ambientes, infelizmente, é comum a violência, física e psicológica, ser perpetrada contra essas pessoas. Este tipo de manifestação violenta, recorrente e banalizada, somada à impunidade e à falta de respeito com este agrupamento humano acaba construindo uma narrativa para que criminosos cometam homicídios contra esta população.

Em Sergipe, nos últimos anos, temos presenciado aumento dos casos de assassinatos de pessoas trans. Segundo relatório de Associação Nacional de Travestis e Transexuais, em 2020, o número de assassinatos em nosso estado aumentou em 100%, em relação ao ano 2019. Começamos o ano de 2021, na capital, já com esta triste estatística. A jovem de apenas 16 anos que foi morta já enfrentava, como toda população LGBTQIA+, sobretudo as trans, uma conjuntura de violência psicológica e física que, autorizadas pelo discurso de ódio, principalmente, de 2019 em diante, passou a ocupar espaços de poder na política brasileira, agindo contra a diversidade sexual e de gênero e buscando invisibilizar e silenciar as pessoas.

Lamentavelmente, no Brasil, uma pessoa LGBT é assassinada a cada 24 horas, com maior violência praticada contra travestis e transexuais, devido às diversas vulnerabilidades que recortam às suas vivências. Neste sentido, esperamos que este crime bárbaro seja devidamente elucidado pelas autoridades policiais, que precisam ser céleres nas tomadas de providências cabíveis.

Queremos a nossa população viva feliz, pois este é um direito de toda e todo cidadã e cidadão. Não descansaremos até que este e os demais crimes sejam solucionados. Precisamos fazer funcionar efetivamente uma Rede de Enfrentamento à Violência contra LGBTQIA+, na cidade, e, urgentemente, pensar em um Plano Municipal para enfrentar este tipo de atentado contra nossas vidas.


“Reafirmo que a nossa Mandata esta solidária à família de Natasha e com pessoas acompanhando de perto as investigações pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para garantir a responsabilização dos criminosos dessa brutal e inconcebível violência LGBTfóbica. Eu vou seguir na luta pela promoção de justiça social, respeito à diversidade e por mais dignidade a todes, todas e todos” diz Linda.