CMA promove Sessão Especial alusiva ao combate à Aids

por Escrito por Felipe Maceió, Assessoria de Imprensa do parlamentar — publicado 05/12/2017 02h05, última modificação 05/12/2017 13h41
CMA promove Sessão Especial alusiva ao combate à Aids

Gilton Rosas

“Infelizmente, os casos da HIV/Aids são crescentes em nosso país e, por isso, faz-se necessário traçar estratégias e fazer as devidas reflexões sobre a luta contra a doença e a assistência às pessoas portadoras do vírus”. Foi com essas palavras que a vereadora Kitty Lima (Rede) justificou a realização da Sessão Especial ocorrida na segunda-feira, 4, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), em alusão ao Dia Mundial de Combate à AIDS, celebrado no dia 1º de dezembro.

As discussões acerca da problemática envolvendo a doença e as iniciativas propostas a fim de reduzir o avanço dela em todo o estado e, particularmente em Aracaju, contaram com as participações do gerente do Programa Estadual e Hepatites Virais, Dr. Almir Santana, da coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Tânia Santos, da assessora do Programa Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) da SMS, Débora Oliveira, dos vereadores Américo de Deus (REDE), Lucas Aribé (PSB), Isac Oliveira (PCdoB), além de representantes da sociedade civil. Os vereadores Iran Barbosa (PT) e Emília Corrêa (PEN) estiveram representados pelos seus assessores de imprensa, George Silva e André Lima, respectivamente.

Autora da propositura da sessão especial, Kitty justificou a necessidade em se debater o assunto uma vez que os casos estão crescendo em todo o Brasil. “Em Sergipe, em especial Aracaju, os dados assustam porque além das pessoas sofrerem com a doença também sofrem com o preconceito da sociedade. A sociedade precisa entender o que é a Aids, conhecer os programas do município, do estado e saber como se prevenir. A camisinha ainda é a principal arma contra a Aids”, explicou a vereadora.

Kitty lamentou o fato do preconceito contra os portadores do vírus ainda existir, e alertou para as consequências às vítimas da ignorância da sociedade. “Infelizmente a gente tem conhecimento de casos de pessoas que cometeram suicídio ao descobrir que são portadoras do vírus. Isso mostra o desconhecimento sobre a doença e o temor que muitos têm em conviver com ela, principalmente por conta do preconceito ao qual acreditam que estarão sujeitas. Por isso precisamos dar um basta nesse comportamento discriminatório”, afirmou.

Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) impressionam. Desde o ano de 1987 foram notificados 6073 casos de Aids em Sergipe. Desse total, 1443 pacientes morreram em decorrência da doença. Atualmente existem 6103 casos de adultos com HIV/Aids no estado, e 134 casos confirmados de crianças infectadas com o vírus. Os municípios com maior prevalência da doença são Aracaju (44,91%), Nossa Senhora do Socorro (9,48%), Itabaiana (4,56%), Estância (4,02%), São Cristóvão (3,84%) e Lagarto (2,78%). “São dados alarmantes que demonstram que a doença tem avançado em Sergipe, principalmente em Aracaju. Isso se deve a um fator principal, o não uso do preservativo. As pessoas precisam entender que elas têm duas opções, se proteger ou não. Mas acima de tudo, elas precisam ter consciência das consequências dos seus atos”, pontuou Dr. Almir Santana.

O médico revelou ainda que, diferentemente do que popularmente se acreditava, a maior incidência de transmissão da Aids não está entre os homossexuais. “Isso é uma visão errada que a sociedade tem da doença e que precisa ser esclarecida. A transmissão da doença acontece, em sua maioria, entre indivíduos heterossexuais, que hoje conta com 3180 casos. Em seguida nós temos 1120 casos envolvendo homossexuais, 547 daqueles que se autodenominam bissexuais e 129 casos envolvendo crianças. A Aids não escolhe idade, não escolhe classe social e nem orientação sexual. É preciso que as pessoas evitem comportamento de risco e pratiquem sexo seguro, sempre com preservativo, independentemente de sua orientação sexual”, alerta Almir.

Entre os principais comportamentos que têm levado ao crescimento do número de casos de Aids em Sergipe, o gerente do Programa Estadual e Hepatites Virais aponta que “as pessoas estão tendo mais parceiros sexuais e os jovens estão iniciando cada vez mais cedo a atividade sexual sem orientação e sem o uso do preservativo, além do consumo excessivo de bebidas alcoólicas que favorece à prática sexual sem a preocupação do uso da camisinha”.

“Outro grupo que precisa de atenção são os idosos que estão praticando relações sexuais ocasionais sem preservativo. É preciso conscientizar esse grupo, que hoje possui uma vida mais ativa e saudável, sobre a necessidade de se praticar sexo com proteção, uma vez que temos percebido também um aumento no número de casos de idosos que contraíram a doença”, explica Almir Santana.

A assessora do Programa Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) da SMS, Débora Oliveira, que representou a secretária da SMS, Waneska Barboza, disse que a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) tem trabalhado para reduzir a transmissão do vírus e para melhorar a qualidade de vida das pessoas com IST, Aids e hepatites virais. “Para atingir o resultado para a sociedade, sete grandes processos são considerados prioridades. O fortalecimento da rede de atenção; implementação de ações estratégicas, prevenção, diagnóstico precoce da infecção e redução de risco e vulnerabilidade; promoção de direitos humanos e articulação com redes e movimentos sociais; aprimoramento e desenvolvimento da vigilância, informação e pesquisa; aprimoramento da governança e da gestão”, pontuou Débora.

Segundo a SMS, entre 1987 e 2016 foram notificados 2420 casos de Aids em Aracaju, sendo 1737 homens e 683 mulheres. De janeiro a outubro deste ano, Sergipe registrou 583 novos casos de Aids, sendo que deste total 294 correspondem a Aracaju (50,43%).
Diante do alarmante número de casos da Aids em Aracaju, Débora Oliveira revelou que o município possui uma ousada meta a ser atingida. “É preciso que haja uma execução conjunta de ações que envolvem prevenção, diagnóstico, assistência e tratamento a serem inseridas e realizadas no cotidiano do trabalho das equipes de saúde a partir do propósito de garantir o direito à saúde de todos. Diante disso, nossa expectativa é ampliar a abordagem integral aos atendimentos para a eliminação da Aids até 2030”, esclareceu Débora.

O presidente da Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Estado de Sergipe (Adhones), Marcelo Lima Menezes, iniciou o debate parabenizando a iniciativa da vereadora Kitty Lima em trazer de volta a temática para o Legislativo municipal e lamentou o preconceito existente contra os portadores da Aids. “Infelizmente nós do movimento LGBT ficamos afastados desta Casa pelos últimos quatro anos que representaram um verdadeiro retrocesso no que se refere as políticas públicas voltadas a esta parcela da sociedade. Apesar da bela iniciativa da vereadora Kitty Lima, sempre sensível às demandas que trago até ela, o que vemos nessa sessão especial é o grande número de vereadores ausentes neste momento. Um debate tão importante como esse deveria contar com a participação de todos, mas de qualquer forma estou feliz por estarmos falando sobre o tema, principalmente no que se refere ao preconceito vivido pelos portadores do vírus”, pontuou Marcelo.

O vereador Américo de Deus defendeu que o debate sobre o uso de métodos contraceptivos no ambiente escolar e dentro das comunidades. “A gente vê a televisão e a internet falando sobre sexo com os jovens, por que não fazer com que a mídia fale também sobre as formas de prevenção? A gente tem que fazer com que esse assunto vá aonde estão os jovens para que eles entendam a importância de se fazer sexo seguro. A gente está vendo aí o crescimento de casos de jovens infectados com a Aids e por outras doenças sexualmente transmissíveis, e isso só acontece porque eles não se previnem. Precisamos focar nesse público para que desde cedo eles entendam as consequências em se praticar sexo sem camisinha, para que assim eles se tornem adultos conscientes”, disse Américo.

Já o vereador Lucas Aribé parabenizou a iniciativa da vereadora Kitty Lima e enalteceu a importância de debates dessa natureza na CMA. “Esta é a casa do povo e devemos trazer para cá debates que venham a abraçar toda a população, independente da sua condição. Sabemos que os portadores do HIV/Aids ainda sofrem com o preconceito e por isso a gente deve promover encontros como este para esclarecermos todas as questões envolvendo a problemática, mas acima de tudo, transformarmos o que falamos aqui em ações. Parabéns à Kitty por essa brilhante iniciativa”, colocou Aribé.